Hugo Jorge - Psicologia & Counselling - Portugal, Australia, Moçambique
Formado em Psicologia. Life Coaching. Ludoterapia. Counselling. NOVA PAGINA www.hugojorge.com

17 Junho 2008

Universidade Autónoma de Lisboa
Departamento de Psicologia e Sociologia

Ciclo de Conferências às Quintas
 
19 de Junho 2008
 
"O "Eu" e a sua Patologia"

 
Prof. Doutor Pio de Abreu
Psiquiatra do Hospital da Universidade de Coimbra e
Professor Associado da Faculdade de Medicina de Coimbra
 
Após a conferência será realizada uma sessão de autógrafos do livro
"Quem nos faz como somos"
 
Mini Auditório da UAL
Rua de Santa Marta, 56
18h00
 
Entrada Livre

publicado por Hugo Jorge às 18:23

04 Junho 2008

Qual é a importância do relacionamento entre animais e humanos para o desenvolvimento destes últimos?

Penso que tanto as pessoas como os animais podem ganhar muito a partir de uma convivência harmoniosa. Os estudos mais recentes têm demonstrado que existem vários benefícios dos animais de companhia no bem-estar geral, no desenvolvimento psicológico, social e na qualidade de vida das pessoas. Tudo indica que interacção com animais de companhia provoca nas pessoas resultados fisiológicos, psicológicos e sociais. Por exemplo, as pessoas com animais de companhia apresentam menor número de visitas a médicos e gastos mais baixos com medicação. Apresentam, também, níveis de solidão, depressão e ansiedade mais baixos. Verifica-se, ainda, que os animais de companhia funcionam como facilitadores sociais e de integração para crianças, idosos e pessoas portadoras de deficiência. Estes são apenas alguns resultados encontrados nas centenas de estudos que já foram realizados por psicólogos, psiquiatras e médicos.

Pensa que, a determinadas alturas, o desenvolvimento cognitivo das crianças pode ser acelerado perante a presença de animais ou através do contacto com estes?

Há cada vez mais certeza de que a existência de um animal de companhia na vida das crianças lhes proporciona um desenvolvimento mais harmonioso, quer psicológica, quer socialmente. As crianças que possuem cães ou gatos em casa e que interagem com estes, apresentam uma maior descentração pessoal e um comportamento mais pro-social. Para além facilitação e integração social, a interacção com animais de companhia contribui positivamente para a auto-estima e sentido de responsabilidade. Considero os animais de companhia como verdadeiros promotores da qualidade de vida das crianças, uma vez que facilitam a exploração do mundo e ajudam na construção da sua independência. Muitas crianças encaram os seus animais de companhia como parceiros de brincadeiras, aventuras e como os seus fiéis protectores. Esta visão vai mudando com o tempo, passando os animais de companhia a serem os mais íntimos confidentes e fonte de suporte emocional. Independentemente da idade, a maioria das crianças encara os animais como um amigo especial e como membro da família. Por todo o mundo, existem já diversas escolas que reconhecem a importância dos animais de companhia e os integram no seu programa educativo de forma a facilitar um maior desenvolvimento pessoal, social e ético de cada aluno, mas também da própria comunidade educativa, professores, funcionários e pais.

De que forma podem os animais contribuir para a resolução de alguns problemas do foro emocional, tendo em conta o nosso ritmo de vida diário?

Um dos problemas mais comuns nos dias de hoje é o stress. A interacção com animais de companhia pode, de facto, contribuir para a redução dos níveis de stress, proporcionando um suporte emocional a muitas pessoas. Já se fala disto desde os anos oitenta. A solidão e o isolamento social são outros problemas que têm vindo a crescer na nossa sociedade. Basta pensar na quantidade de idosos que vivem sozinhos nas cidades e aldeias do nosso país. Muitos deles possuem pouco ou nenhum contacto social. Uma grande maioria tem um cão ou um gato. Os animais tornam-se fiéis companheiros e dão maior alegria a uma existência que nem sempre é colorida. Alguns estudos indicam que a qualidade de vida do idoso aumenta, assim como a sua longevidade. Temos também o caso de sem-abrigo. Conheço alguns que possuem animais de companhia. Um cão ou gato que para toda a parte os acompanham, sendo muitas vezes os únicos que verdadeiramente amam e não se importam que o dono esteja sujo ou cheire mal. Na vida de muitas pessoas, os animais de companhia são os únicos que os aceitam incondicionalmente, sem criticar ou julgar.

Qual a importância das terapias com o recurso a animais, cujo expoente mais conhecido é, na actualidade, a hipoterapia?

Cada vez mais se reconhecem os efeitos terapêuticos benéficos dos animais de assistência ou de terapia com populações específicas, como no caso de deficientes visuais e motores. A hipoterapia é um excelente exemplo e que tem apresentado grandes resultados com doenças de âmbito neurológico. Posso citar outras populações onde já foram efectuadas algumas experiências e que apresentaram algum sucesso: crianças hiperactivas, pessoas com problemas psiquiátricos, pacientes de Alzheimer e portadores de Trissomia 21.

Acredito profundamente que as terapias e as actividades com recurso a animais proporcionam uma assinalável melhoria da qualidade de vida das pessoas a que elas recorrem.

Poderemos afirmar que, neste momento, dissociar seres humanos e animais poderia ser prejudicial à nossa própria vivência?

Imaginando que amanhã todos os animais não-humanos deixariam de existir, a vida enquanto a concebemos actualmente sofreria profundas mudanças. Milhares de pessoas ficariam privadas da companhia, alegria e apoio psico-social proporcionados pelos animais de companhia. A vida perderia uma grande parte da sua cor e magia. Creio que, cada vez mais, nos apercebemos do valor inestimável que os animais possuem nas nossas vidas, procurando assim formas mais harmoniosas de convivência mútua.

Entrevista de Hugo Jorge ao Jornal Primeiro de Janeiro em 19 de Março de 2004

publicado por Hugo Jorge às 08:46

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